A Revolução em Sochaux

A cidade de Sochaux fica a 430 quilômetros a leste de Paris não muito distante da fronteira com a Suíça. É lá que são produzidos os carros com distintivo do leão, os Peugeot. Nesta também está o museu que conta a história da marca com vários modelos, desde o princípio do século XX. No começo da década de 60 a marca contava com os modelos 403, já com o peso da idade e o Peugeot 404 lançado em 1960. Não tinham um modelo que concorresse com os médios pequenos da Simca e da Renault nem com o dos outros restantes da Europa.

Foi assim que nasceu o projeto de um carro, que teria que ter no máximo 4 metros de comprimento, levasse com conforto cinco passageiros e tivesse velocidade final por volta dos 130 km/h. Pensaram num automóvel de cinco portas, mas depois a decisão recaiu sobre um sedã convencional. 

Em abril de 1965 ela foi apresentado ao público francês. O evento se deu nos concessionários da marca e os visitantes tiveram direito a um coquetel para receber o novo Peugeot 204.

Seu desenho teve inspiração em esboços da Pininfarina, mas toda a realização foi dos projetistas da casa. Um sedã de 4 portas, três volumes, muito boa área envidraçada (não tinha quebra-vento) e linhas modernas e bonitas. Media 3,99 metros e pesava 880 quilos. Na frente dois faróis oblongos, pequenos sinalizadores de direção embaixo e grade cromada. Esta frente influenciaria toda uma gama futura de automóveis como o 504, 304 e 104. Pela primeira vez a marca do leão tinha tração dianteira. Seu motor, todo em liga de alumínio, tinha posição transversal. Eram quatro cilindros em linha com comando de válvulas no cabeçote, refrigerado a água, com 1.130 cm³ e 53 cavalos. Era alimentado por um carburador Solex e atingia a rotação máxima de 5.800 giros. Detalhe inédito e interessante era que o motor tinha um carter comum com a caixa de marchas de quatro velocidades. Sua velocidade final era de 140 km/h e chegava aos 100 km/h em 19 segundos. Muito ágil, agradou desde o princípio aos franceses, pois o pequeno sedã era “nervoso”.

Por dentro era muito confortável. Os bancos dianteiros eram separados e se fossem colocados os assentos todos para frente, e reclinasse todo o encosto, este se encostava ao assento traseiro e viravam uma boa cama de casal para gente com até 1,80 m. Este detalhe era importante, pois na década de 60, em viagens longas, vários europeus paravam em estacionamentos ou postos de gasolina e dormiam dentro do carro.

Em termos de segurança ele já tinha cintos de três pontos dianteiros e travas nas portas traseira que, se acionadas, só se abriam por fora. O volante de dois raios tinha boa empunhadura sendo que a alavanca de cambio ficava na coluna. Muito interessante era que, para o mercado inglês e outros de direção do lado direito, a alavanca era no assoalho. Nos primeiros anos o painel era muito rústico, mas um ano depois de produzido ganhava três mostradores bem posicionados, num módulo, na frente do motorista. Relógio de horas à esquerda, velocímetro com hodômetro total e parcial ao centro e direita marcador de temperatura do motor, voltímetro e nível do tanque. Todos esses aparelhos era da famosa marca Jaeger. O porta-malas tinha bom espaço para bagagens porque o pneu estepe ficava debaixo deste. Do lado de fora! A suspensão era independente nas quatro rodas. Na frente tinha triângulos inferiores e molas helicoidais com amortecedores concêntricos. Atrás tinha um interessante combinado de amortecedores com molas e braços oblíquos. Era macia e confortável, mas mesmo assim o carro tinha muito boa estabilidade saindo de frente no limite, porém de fácil correção. Usava pneus 135 SR 14. Finos, mas eficientes. Para frear discos de freio na frente, com servo-freio e tambor atrás.  Por pouco não ganhou o título de carro do ano. O Renault 16 levou.

Pouco antes do Salão de Paris em outubro de 1965 foi apresentado a perua. Tinha a mesma distância entre-eixos e ótima visibilidade. E seu estilo também agradou por ser moderno e tradicional ao mesmo tempo.  Um ano depois, em 1966, chegava o modelo cupê, com um leve fastback, o simpático conversível que tinham uma distância entre-eixos menor em 27,5 cm e uma furgoneta de duas portas.

Esta não tinha os bancos traseiros e sua área útil era de 1,5 m³.

Em 1967, como era tradição da marca, foi enfrentar pela segunda vez as terríveis competições africanas de rali. A empresa enviou seis carros para East African Safári. Obtiveram os seis primeiros lugares na categoria de 1.100 a 1.300 cm³ !

E neste ano também o conversível tinha opção do hard-top e era lançada a versão diesel que fez muito sucesso devido a sua economia, a sua resistência e seu preço. Mantendo o bloco e cabeçote em liga (único no mundo com este combustível), também com válvulas no cabeçote, tinha 1.255 cm³, 40 cavalos, injeção Bosch e chegava a 125 km/h. Seus principais concorrentes na época eram o Ford Cortina 1200, Simca 1300, Renault 8 Major, Ford Taunus 12M, Morris 1100, Opel Kadett e o Volkswagen 1200, o Fusca.

Em 1968 ganha novas lanternas traseiras, proteção de borracha nos para-choques e um ano depois ganha barras estabilizadoras na frente e atrás, pneus 145 SR 14, rodas com três parafusos e o dínamo dava lugar ao alternador.

Em 1969, 1970 e 1971 foi o carro mais vendido do mercado francês. Neste ano a Peugeot festejou o 6.000.000 carros produzidos desde 1889 e o milionésimo 204.  

Em 1973 o modelo diesel está mais potente com 1.357 cm³ e 45 cavalos. Atingia 130 km/h e o a gasolina, graças a um novo carburador e velas cônicas, ganhava mais seis cavalos e estava mais esperto. Se distinguia dos demais pela grade preta

Em 1975 a fábrica do leão tinha uma gama completa de modelos com os 104, 204, 304, 404, 504 e 604.

Em 1976, este sucesso francês deixou de ser fabricado após onze anos de produção. Seu irmão 304, nascido em 1969, um pouco maior, e mais moderno, herdou suas linhas e qualidades mecânicas e o substituiu. Foi produzido também pela Usine SOMA (Société de Montage Automobile)) de Saint-Bruno de Montarville, em Québec no Canadá.

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Lá em casa.

Na inauguração da concessionária Peugeot em Belo Horizonte em 1993 na Avenida Prudente de Moraes. Na esquerda Monsieur Thierry Peugeot que fez questão que eu colocasse o carro na rampa de acesso. Após meu pai Yvon Castaings, um gerente de marketing francês e na extrema direita o editor do Retroauto de terno cinza. O coquetel foi muito bom e a empresa estava apresentando aos mineiros o modelo 205 (vinha do Uruguai em CKD), as picapes 504, o sedã médio 405 e o grande sedã 605. 

Este carro foi adquirido em Brasília em abril de 1975. Era um modelo 1968 GL que havia chegado aqui no mesmo ano. Nós éramos o segundo dono e o 204 estava muito bem tratado. De Brasília à Belo Horizonte o para-brisas foi atingido por uma pedra. Fecharam-se os vidros e seguiram caminho meu pai e meu irmão Jean Louis. Fizeram em cinco horas e meia. Duas semanas depois mais uma pedrada no mesmo vidro. E o funcionário da concessionária no Rio de Janeiro sempre dizia: Estão com sorte! É o último. 

O carro veio com várias peças sobressalentes e um manual que era mais grosso que o catálogo telefônico de São Paulo na época. Era possível desmontá-lo seguindo as orientações e era traduzido em francês, espanhol, alemão e português. Todos eles eram bons clientes Peugeot nas décadas de 60 e 70. Devido à alta taxa de compressão para a época (8,8:1) só usávamos gasolina azul. O motor rodava macio e nunca precisou de muitas regulagens. As velas e as pastilhas de freio eram as mesmas do Chevette por exemplo. Sempre frequentava os encontros em Belo Horizonte e região. E era destacável, pois várias soluções tecnológicas ainda não tinha nos carros fabricados no Brasil.

Com o fim da comercialização da gasolina azul as coisas começaram a complicar e o motor sofreu. Precisou de uma retifica e um dos pistões apresentou um furo. Aproveitamos e foi feita uma reforma geral. Este carro nos deu muita satisfação e ficamos com ele até 2000 atingindo quase 180.000 quilômetros. Aguentou bem as ruas de nosso estado. Além de rodar aqui em Belo Horizonte foi também à Sabará, Tiradentes e Ouro Preto, cidades históricas de Minas Gerais. O relevo acidentado de BH também não foi problema. Apesar de relações de marchas bem diferentes subia com vontade. Dá muitas saudades até hoje. O atual e terceiro dono está começando a restauração no interior de Minas.

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Autoclásica - San Isidro - Buenos Aires - Argentina

A Autoclásica é sem dúvida uma das melhores exposições de carros antigos da América Latina. E lá estava um exemplar restaurado em belo estado. Impecável!

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Em escala

O 204 à esquerda é um Dink Toys Meccano na escala 1/43. Ao Centro um 206 Berline XT Premium da Coleção Peugeot e o amarelo, também na escala 1/43 é um Bburago. Perfeitos! 

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Picapes Chevrolet - Robustez que conquistou o Brasil

Caminhões FNM 

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A História do Automóvel - Três volumes

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  • Volume 1 - da pré-história a 1908
  • Volume 2 - de 1908 a 1950
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Merci à L'Aventure Peugeot pour les principales photos de cette page.

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Texto, fotos Retroauto e montagem:  Francis Castaings - Demais fotos: Museu Aventure Peugeot

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